Crónicas de um Engenheiro – Enfarte de Portismo

Num país como Portugal, numa cidade como o Porto, onde o desporto rei é o futebol, onde, como qualquer país latino, o futebol é vivido cheio de paixão, de garra e com emoções à flor da pele (emoções essas que superam qualquer racionalidade de qualquer pessoa, até a mais séria das mesmas), o coração da cidade do Porto não podia ser outro senão o maior clube da cidade, o FC Porto.

Apesar da cidade ter vários clubes históricos como o Boavista, Leixões ou o agora renascido Salgueiros, o clube mais representativo é o FC Porto. Fundado em 1893, o FC Porto até 1982 era um clube, essencialmente, regionalista e com poucas conquistas, contudo esse ano marcou o ponto de viragem para o clube, com a ascenção de Jorge Nuno Pinto da Costa a Presidente do clube. Desse ano para cá, seguiram-se um rol quase infindável de conquistas, fazendo de Pinto da Costa o presidente mais titulado do mundo. Entre essas conquistas, incluem-se duas Champions League (uma delas no formato antigo de Taça dos Clubes Campeões Europeus), duas Taças Intercontinentais, uma Taça UEFA, uma Liga Europa, uma Supertaça Europeia e vinte Campeonatos portugueses, apenas para citar os títulos mais relevantes.

Um clube recheado da chamada “mística”, de garra, de um conceito próprio, de uma identidade peculiar, que contagiava qualquer membro do clube, desde o mais recente jogador ao roupeiro, passando por dirigentes e indo até aos massagistas.

Todavia, no presente, o FC Porto vive o período mais negro desde que me lembro. Não só pelo jejum de títulos, pois na viragem do século viu-se um situação semelhante, com um interregno de três anos de campeonatos nacionais (dois títulos para o Sporting e o milagroso título Boavisteiro), mas esta CRISE preocupa sobretudo pela extinção de valores. A equipa de futebol sofre de uma total descrença em si própria, uma ausência de brio, de respeito por quem os orienta (ou devia fazê-lo), uma desfaçatez tremenda que choca quem realmente sente o clube. O Presidente fala em “radiografia” ao que correu mal, eu digo que qualquer verdadeiro PORTISTA sabe. Desleixo, puro desleixo. O sentimento que a hegemonia interna se iria manter independentemente da preparação da equipa, a teimosia (por vezes benéfica, já por outras…) do nosso Presidente em manter aos comandos da equipa um individuo que, na hora da saída, mostrou a sua verdadeira face desrespeitando a instituição FC Porto e mostrando um total desconhecimento da filosofia do clube.

Acrescentando aos factores supracitados, existe ainda aquilo que, analogamente, equivale ao principal factor da doença cardiovascular do coração da cidade, ao mau colesterol que entupiu as veias do coração da cidade: guerras internas. Uma suposta luta pelo poder entre dirigentes do FC Porto, nomeadamente Antero Henriques e o filho pródigo Alexandre Pinto da Costa (este um “não dirigente”, mas um empresário de jogadores com elevados interesses pelo clube) causou discórdia e instabilidade nas decisões internas do clube. Um jogo de interesses que fugiu ao controlo de Jorge Nuno Pinto da Costa, um rombo na tão aclamada “estrutura”, um terramoto naquilo que aparentava ser “uma ilha paradisíaca” de sucessos.

Solução? Limpeza e esterilização do clube. Que entrem os senhores da desratização e limpem os “ratos” do clube. Só espero que o Presidente abra os olhos e se torne parte da solução, e não o maior dos problemas.

“Só é lutador quem sabe lutar consigo mesmo. “

(Carlos Drummond de Andrade)

 

rodape simply life

 

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