Crónicas De Um Engenheiro – Uma Questão De 4 Patas

Penso que toda, ou quase toda, a gente em Portugal está ocorrente do caso que sucedeu no passado mês de Abril no qual um cão mordeu um criança. Este é o tipo de caso que “mexe” com a opinião pública e onde toda a gente tem algo a dizer. O empolamento dado pela comunicação Social também leva a isso mesmo.

Contudo, das pessoas que opinam sobre o caso, quantas sabem dizer mais sobre o assunto do que “matem o cão!” ou “coitado, o bicho não tem culpa”. Estas duas frases representam aquilo a que eu chamo “Os Clássicos” da sociedade, aquele tipo de coisas que toda a gente diz mas que quando é necessário desconstruir a situação ou mesmo analisar o contexto da mesma as pessoas não têm nada de concreto a acrescentar ao debate.

Ponto prévio: eu tenho uma cadela, como tal sinto empatia por cães.

Mas vamos tentar perceber o sucedido em casos como este:

Por um lado, confesso que compreendo a revolta de um pai que vê o seu filho/familiar ser “atacado” pelo animal, e não nego que não sei se não teria uma reação mais agressiva para com o destino do animal movido por essa mesma revolta.

Contudo, há que perceber o que está na origem de cada situação que leva um cão a ferrar alguém. Por exemplo: se alguém estiver a maltratar fisicamente um cão, a provocá-lo, a atacar o dono do cão, o animal instintivamente vai tentar defender-se ou defender o seu dono. Isto é algo natural, não é algo que justifique o abate do animal.

Todavia os cães são animais, não como nós, mas também têm intelecto à sua maneira. Tal como há pessoas que se matam umas às outras diariamente, também existem cães que são agressivos por natureza, por personalidade, e aí quando um cão ataca “sem justificação”, percebo a teoria do abate.

Na berra está também a culpabilização dos donos, teoria essa que concordo em parte pois os donos devem educar os seus animais de estimação, devem ensiná-los e cuidar deles. Um dono não deve nunca incitar à violência nem ter comportamentos agressivos para com outras pessoas na presença do seu animal. No entanto um dono que faz tudo dentro das conformidades no que ao “ser um bom dono” diz respeito, e vê o seu cão sem razão aparente atacar alguém não deve ser responsabilizado. “O dono é que tem culpa porque não educou o cão”. Pois, então toca a prender e a abater os pais de todos os criminosos deste mundo, pois se o são é porque os pais não os educaram devidamente.

Mas isto faz algum sentido? O intuito deste texto é satirizar e descriminar o ridículo que os extremos podem ser, em qualquer tema. Neste caso os “Defensores dos animais” vs os “Defensores das pessoas” quando apresentam argumentos extremados tornam um assunto que é sério em algo vazio e desprovido de “sumo”.

Quando se quer opinar sobre algo, devemos sempre ser ponderados e tentar analisar ambas a posição de as partes da disputa, pois só assim podemos dar uma opinião mais respeitável e útil.

 

rodape simply life

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